Portugal vai lançar calendário de leilões de energia eólica offshore para 2 GW antes de julho de 2025

  • O Executivo define o modelo centralizado sequencial para avançar com a instalação de 2 GW de energia eólica offshore até 2030, em linha com o PNEC 2030. O setor das energias renováveis destaca a estabilidade regulatória e a atração de investimentos.

O Governo de Portugal oficializou o lançamento do procedimento competitivo para o desenvolvimento de projetos de energia eólica offshore, com o objetivo de atingir uma capacidade instalada de 2 GW até 2030. A medida foi estabelecida através do Despacho n.º 4752/2025, publicado a 21 de abril no Diário da República.

A iniciativa adota o modelo centralizado sequencial, refletindo a preferência manifestada pelos atores do setor após anos de trabalho e consultas. Esse modelo busca garantir rapidez, racionalidade econômica e estabilidade regulatória, fatores-chave que o setor de energias renováveis tem celebrado abertamente.

O despacho, assinado pela Secretária de Estado do Mar, Lídia Bulcão, e pelo Secretário de Estado da Energia, Jean Barroca, estabelece que, no prazo de 60 dias, deverá ser apresentada a proposta de operacionalização do primeiro concurso, enquanto que, no prazo de 180 dias, serão elaborados todos os elementos do procedimento.

«Portugal deve posicionar-se como plataforma de expansão internacional para investidores em energias renováveis», destaca o documento, em linha com os objetivos do PNEC 2030, que estabelece uma meta de 51 % de energias renováveis no consumo final bruto de energia e a descarbonização total até 2045.

Um quadro estratégico apoiado pelo setor

O anúncio é o resultado de um processo iniciado em 2022 com a criação do grupo de trabalho para planejar a geração renovável de origem oceânica. Após sucessivos relatórios e consultas, o modelo centralizado sequencial foi consolidado como a opção mais adequada.

A publicação do Plano de Afetação para as Energias Renováveis Offshore (PAER) em fevereiro de 2025 definiu as áreas marítimas disponíveis para esses desenvolvimentos, possibilitando o passo atual para a convocação de concursos.

O despacho também detalha que a DGRM, a DGEG e a EMER serão as entidades responsáveis por apoiar a implementação do procedimento, incluindo a definição de lotes, critérios de pré-qualificação e aspectos socioeconómicos, jurídicos e tarifários.

As associações do setor renovável reagiram positivamente, destacando a importância de contar com um quadro claro e previsível. A indústria valoriza que o Governo dê prioridade a um esquema que facilite a participação dos investidores e promova a competitividade.

Próximos passos para a energia eólica marinha em Portugal

Entre as tarefas imediatas estão a confirmação das fases do procedimento, a identificação dos lotes específicos dentro do espaço marítimo nacional e a revisão do quadro jurídico, se necessário.

O documento destaca que será possível contar com a participação de entidades públicas, instituições científicas e empresas privadas para enriquecer o desenvolvimento do processo. «É fundamental estabelecer critérios claros para a pré-qualificação e definir adequadamente as tarifas e taxas», estabelece o despacho.

O setor das energias renováveis celebra esta medida como um passo decisivo para consolidar Portugal como referência na exploração da energia eólica offshore, destacando o potencial de atração de investimentos e geração de emprego sustentável.

Por fim, o despacho entrou em vigor no dia seguinte à sua publicação, marcando oficialmente o início do cronograma que permitirá avançar para a realização do primeiro concurso em 2025.

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Questionário de adequação do projeto